A Escolha de Sofia

Hoje é D3, o dia em que haveria a transferência dos meus bebês. Estamos com 3 embriões classe A e mais 3 classe B (ontem tínhamos 9, sendo 6A, 2B e 1C. Foi um dia tão feliz!).
Bem, de qualquer maneira, continuamos com motivos de sobra para comemorar, 6 de boa qualidade é nosso melhor resultado!
Mas nem tudo são flores, né mesmo? O médico, em discussão com toda junta médica da clínica (meu caso é tão difícil assim? :/), recomenda aguardarmos o 5o dia para tentarmos a biópsia. Acontece que não há garantia de que meus bebês de hoje resistirão até sábado e isso está acabando comigo. Quero acreditar, mas é tudo tão incerto que me perco em lágrimas e mergulho cada vez mais fundo num poço onde só há medo, dúvida, falta de clareza e de racionalidade. (E que atire a primeira pedra quem conseguir ser racional num momento como esse.)

Nada é isento de riscos: meus bebês podem não resistir até D5, o processo de biópsia pode danificá-los, o resultado pode detectar algum problema genético; optando por transferir hoje, eu poderia fazê-lo com embriões aneuplodes, que gerariam não nidação, perda gestacional ou bebê com alguma má formação.
Eles dizem que não chegando a blastocisto (D5), é porque a gestação não iria à frente de qualquer maneira e, dessa forma, só estaríamos antecipando o resultado negativo do beta. Será mesmo?
Será que estarem guardadinhos aqui no meu corpo não os ajudariam a seguirem firmes e fortes? Eles estão num meio de cultura que tenta simular o que seria meu ventre. Muito melhor se agarrarem a mim, imagino eu.

A meu ver, nessa 3a tentativa, há fatores que potencializam nossas chances de sucesso: a injúria endometrial, a aplicação diária do Clexane (devido à minha mutação heterezigota A1298C do gene MTHFR, fator descoberto nos exames de cariótipo); e por mais que o médico diga que não há influência, acho que ter perdido 11 Kg e adquirido hábitos saudáveis de alimentação e exercícios têm sim seu peso no sucesso da nossa jornada.

Bem, vamos aguardar até D5 e realizar a biópsia. São infinitos 2 dias pela frente, mas se é a recomendação médica, precisamos confiar.

Iniciei esse texto no calor da emoção, explodindo em lágrimas por um simples toque e “e aí menina, tá tudo bem?”
Passadas aproximadamente 11horas, estou mais confortada de que o melhor será feito. A decisão está tomada e só me resta orar e acreditar que tudo dará certo.
Nesse momento, só peço a Deus que ilumine e forneça o discernimento necessário aos médicos, para que possam tomar as decisões acertadas, que guie as mãos da bióloga que cuida dos nossos tão frágeis embriões, que proteja e fortaleça meus montinhos de células que, pra mim, já são sim meus bebês e que prepare meu corpo para recebê-los e gerá-los com saúde. Amém.

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