Retrospectiva 2014

O final de novembro foi um período difícil, momento em que comecei a pensar no ano de 2014 e fiquei bem mal, pois me parecia ter sido um ano “perdido”, um ano muito inferior a 2013 em termos de conquistas e realizações. Não tinha nada de muito grandioso para registrar no livro da minha vida.
Até que no dia 1o de dezembro, eu li esse post da Desassossegada (mais uma das boas descobertas do ano).

E quando comecei a refletir com toda verdade do meu coração, a olhar para cada detalhe que fez meu 2014, eu vi que tinha muita coisa boa ali.
E foi daí que nasceu a minha retrospectiva desse ano.

Eu vivi da forma que realmente gostaria de viver?
Definitivamente, sim!
Fui atrás de todos os meus sonhos; o que não se realizou era porque realmente não tinha que ser (e aqui é preciso maturidade para não culpar o outro, a vida, o destino, deus…) Bem, sigamos…
Encarei minha 4a FIV, comecei a adotar o projeto de ser mãe por adoção (e digo comecei porque é um processo muito mais intenso do que a “simples” decisão), vivi com muita dedicação os últimos dias de vida de minha avó, estive presente para minha família em cada e toda dificuldade.
Encarei uma meia-maratona em abril (me belisca que eu também ainda não acredito). E mesmo tendo parado de treinar na sequência, isso também foi decisão minha: foram momentos em que eu queria/precisava (dess)a inércia (o resgate entra nos planos para 2015).
Fiz uma viagem incrível para o Deserto do Atacama e aos 45 minutos do 2o tempo ainda me dediquei a um concurso, cujo resultado, apesar de ainda desconhecido, é bastante promissor.
Atualmente, minha atividade profissional não é minha maior realização, mas, pelo menos, coloquei o futuro desejado em foco e iniciei os esforços para alcançá-lo.

Qual foi a melhor coisa que me aconteceu este ano?
Correr 21 km foi, sem dúvida o maior feito de 2014: o mais grandioso, o mais desgastante e aquele me me trouxe a certeza que “o impossível é temporário”.
Ter a coragem de me jogar de vez no projeto de ser mãe, seja da forma que for.
E visitar o Deserto do Atacama, uma experiência absurdamente enriquecedora e que me ajudou muito na consciência de que a estrada da evolução é muito, muito longa (sou um bebê que nem deu ainda os primeiros passos).
Esse ano ainda me presenteou com o Davi, mais um sobrinho amado, e com a formatura da Bru (vam com tudo, facul 2015!).
Tanta gratidão pela infinidade de pequenas grandes coisas que fizeram meu 2014 mais feliz: os sorrisos trocados, os abraços apertados, os olhares cúmplices, os livros companheiros inseparáveis (e foram tantos! e tão bons!).
Viver com saúde, ver meus amados com saúde, poder andar, correr, saltar, abraçar, pentear os cabelos, tomar banho, comer sozinha, assistir ao pôr-do-sol, ouvir minha música preferida, sentir o perfume da natureza, o calor, frio, chuva… Obrigada, mil vezes obrigada!
Gratidão imensa por tanta vida vista , aprendida e vivida.

O que eu aprendi em 2014?
Aprendi que o Universo não se curva aos nossos desejos, somos nós que devemos respeitar e aprender a conviver com seus desígnios. A experiência do Lascar, inicialmente, foi muito frustrante, mas foi de um aprendizado ímpar: serviu para mostrar à minha prepotência que não, não estamos no controle, é a natureza quem impõe os limites.
Passada a decepção inicial, eu vivi momentos de puro regozijo por estar onde estava, por não ter me amedrontado pelo tamanho do desafio, por estar a mais de 5.000 metros de altitude, rodeada por montanhas ainda nevadas, vento e possibilidades.
Foi o mais alto que já estive na vida! Mais uma experiência que vira metáfora para minha vida.
Isso, no entanto, não significa que vou me acomodar e esperar ser abençoada pelos céus sem nenhum esforço; não! Isso significa que vou continuar empenhada em escalar os mais altos sonhos, mas com menos pesar caso seja obrigada a parar um ou dois degraus antes do topo.
A Janda escreveu essa semana no facebook: “Que em 2015 nós saibamos respeitar mais nossos limites, saibamos dizer não nos momentos certos, mas também saibamos entender que podemos ir um pouco mais longe para alcançar nossos objetivos.”
Exatamente isso! Que eu leve esse aprendizado de 2014 para todos os próximos anos.
Sobre acalmar a respiração e meditar, não posso dizer exatamente que aprendi, mas o simples iniciar já trouxe bons reflexos e muitas reflexões.

Qual foi a minha grande transformação este ano?
Ter mais aceitação pelos limites impostos pela vida sem deixar de lutar pelos sonhos que me tornam viva.
Aceitar a condição de mãe adotante e encarar com coragem essa decisão. O próximo passo é aceitar com entusiasmo e orgulho.
Aprendi a olhar com carinho e dedicação para os cuidados com a casa. É algo importante para meu bem estar; quando tenho em mente o objetivo maior, o porquê, o que era obrigação entediante fica bem mais leve. E ainda iniciei a caminhada para ter um lar aconchegante, como eu sempre quis (e nem sabia que queria até alguns meses atrás).
E eliminar a tralha física ajuda muito a lidar com a tralha emocional.

O que eu não consegui melhorar?
Acho que praticamente todas as minhas tentativas de não ser controladora foram frustradas. A desculpa da vez é muito nobre, vejam vocês: é importante ser organizada (no dia a dia, na casa, na vida) – e eu realmente acredito nessa importância. Eu tenho consciência das minhas escolhas e prioridades; fico muito mais tranquila porque sei exatamente onde encontrar toda e qualquer informação que preciso e por aí vai…
Mas preciso admitir que meu lado controladora fica bem mais evidente.

Buscar tranquilidade no trânsito era uma meta, na qual falhei miseravelmente (shame on me :/ Eu até tento manter a serenidade, mas quando me perco e/ou tenho horário para algum compromisso, o corpo tensiona imediatamente e as pessoas ao redor sentem o peso no ar: o tom de voz muda, a paciência vai pro beleléu e a irritação impera. Eu até achava que estava lidando melhor com essas situações, até ir buscar minha mãe no aeroporto dia desses, receber o feedback negativo de T-O-D-A a família e perceber que só estava enganando a mim mesma, pois a mudança que eu via não era genuína, estava apenas na superfície.

E preciso urgentemente exercitar a escuta empática (de verdade!), principalmente em casa.

Em que ponto piorei?
Estive bem mais impaciente, mais crítica e menos disponível para meu marido.
Acho que priorizar os projetos que farão diferença no meu futuro, na minha vida, exercitar o “não” não me afastou tanto de outras pessoas quanto me afastou dele.
E nos últimos tempos ele se mostrou bastante compreensivo (e até comunicativo) com minhas crises de ansiedade e tristezas crônicas.
Acho que isso me torna um ser mais egoísta.
E por que as críticas vindas dele me deixam tão mal? Por que reajo, revido e teimo em justificar ao invés de ouvir com atenção, aprender e tentar olhar por outro ponto de vista? Será porque ele me conhece tanto e tão bem a ponto de atingir as feridas bem onde elas mais doem? A refletir (muito!)
Novamente, preciso urgentemente exercitar a escuta empática, com o marido, principalmente.
Também relaxei muito nos cuidados com a saúde: desde a alimentação até às atividades físicas. Não preciso ser neurótica, barriga negativa, sarada, com % mínimo de gordura, mas preciso voltar a curtir o “me cuidar bem”.

O que eu quero deixar para trás?
O peso dos fracassos que têm amarrotado meu coração e me impedido de enxergar a vida com alegria, leveza e condescendência.
A preguiça de recomeçar os treinos de corrida.
O excesso de controle com tudo e com todos.
A falta de paciência, principalmente com meu marido.

O que eu quero levar comigo?
Quero aprofundar meus exercícios de autoconhecimento, quero levar comigo a autoconfiança, a força de vontade e determinação; quero ao meu lado a coragem de acreditar e investir no sonho; quero ser mais leve com as responsabilidades e com as escolhas que faço.
Quero tentar algo novo como exercício de autodesenvolvimento: yoga no lugar da terapia.
Quero continuar aprendendo (e praticando) sobre simplicidade, minimalismo e destralhamento.
E, sob pena de parecer (ou ser) contraditória: quero seguir e aperfeiçoar meu sistema de organização. O GTD me traz segurança e tranquilidade, ter um backlog me faz deixar espaço na mente para o que importa (apesar de o tamanho desse backlog, algumas vezes, me afligir).
Então, o que quero mesmo é EQUILÍBRIO em todos os aspectos da vida.

Agora digam-me: foi ou não foi um ano rico por demais? ❤
Realmente acho que vou gostar de ler esse post no final de 2015 tanto quanto gostei de reler o do ano passado.

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